Rosalía em Lisboa: uma noite entre o divino e o explosivo
- FOCUS MEDIA & SPORTS
- 10 de abr.
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Entre o sagrado e o profano, a artista catalã regressou a Portugal para um dos concertos mais aguardados do ano e saiu da MEO Arena com estatuto reforçado — não apenas como estrela pop, mas como uma performer total.
Na noite de 8 de abril, a MEO Arena transformou-se num autêntico templo. Entre véus, branco dominante nos figurinos do público e uma atmosfera quase litúrgica, Rosalía protagonizou um espetáculo que cruzou espiritualidade, intensidade emocional e uma estética visual arrebatadora.
O concerto arrancou com uma orquestra liderada por Yudania Gómez Heredia, que abriu caminho para a entrada da cantora, revelada entre estruturas cénicas imponentes, vestida como uma bailarina, numa imagem simultaneamente delicada e poderosa. Dividido em quatro atos, com intermezzo e encore, o espetáculo assumiu uma estrutura quase operática.
A primeira parte, centrada no álbum Lux, destacou-se pela sua dimensão mais solene e minimalista. Temas como “Sexo violencia y llantas”, “Relíquia” e “Porcelana” evidenciaram a força vocal da artista, muitas vezes em momentos despidos de excessos, onde apenas a sua voz preenchia o espaço.
Na transição para o segundo ato, o ambiente mudou radicalmente. Com uma estética mais sombria e referências visuais intensas, Rosalía mergulhou num registo mais provocador e energético, com temas como “Saoko”, “La Fama” e “DESPECHÁ”, onde o espetáculo ganhou contornos de rave, explorando o contraste entre o sensual e o espiritual.
A terceira parte trouxe um registo mais intimista e emocional, com interpretações marcantes e momentos cénicos criativos, incluindo um “confessionário” em palco que arrancou risos e proximidade com o público. Um dos pontos altos da noite surgiu com a participação especial de Carminho, numa atuação conjunta que uniu o universo da artista espanhola ao fado português. “Deus abençoe a Carminho, Portugal e o fado”, afirmou a cantora, num dos momentos mais aplaudidos da noite.
O espetáculo encerrou com uma explosão de energia e emoção, culminando no encore com “Magnólias”, numa catarse coletiva que deixou o público rendido.
Mais do que um concerto, foi uma experiência sensorial e artística completa. Entre o sagrado e o profano, Rosalía voltou a provar porque é uma das artistas mais influentes e completas da atualidade.




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