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Taça de Portugal de Montanha envolta em polémica após decisões contraditórias na Falperra

Foto do escritor: Patricia Barbosa
Patricia Barbosa
22 de mai.
2 min de leitura
Foto: Patricia Barbosa
Foto: Patricia Barbosa

A Taça de Portugal de Montanha continua mergulhada em forte polémica depois dos acontecimentos ocorridos no final da Rampa Internacional da Falperra, prova integrada no Campeonato da Europa de Montanha. Dias após o término da competição, o resultado oficial foi alterado e o caso já motivou apelos formais junto da FPAK.


Inicialmente, José Rodrigues tinha sido anunciado como vencedor da Taça de Portugal, depois de somar os melhores tempos das duas subidas oficiais da prova. O piloto do Porsche 992 GT3 Cup chegou mesmo a subir ao pódio e celebrar o triunfo em Braga.

Contudo, numa decisão publicada posteriormente pelo Colégio de Comissários Desportivos, o vencedor passou a ser Afonso Santos, ao volante do Osella PA2000 Evo2. A alteração surgiu após a análise da regulamentação da Taça de Portugal de Montanha, que determina que o vencedor deve ser encontrado através do melhor tempo obtido numa única subida oficial, e não pelo somatório das duas.


Segundo o comunicado divulgado, a decisão baseou-se no Artigo 1.4.6 das Prescrições Gerais de Automobilismo e Karting 2026, que estabelece a prevalência dos regulamentos desportivos federativos sobre o regulamento particular da prova em caso de conflito.

A polémica instalou-se rapidamente no paddock e entre os participantes. Um dos mais críticos foi Daniel Vilaça, que perdeu o lugar de pódio na categoria GT após a revisão dos resultados. Em declarações, o piloto apontou o dedo à gestão do processo e falou mesmo em possíveis “interesses paralelos” contra a continuidade da Falperra no Europeu de Montanha.

Também Rogério Peixoto, presidente do Clube Automóvel do Minho, rejeitou responsabilidades da organização, defendendo que o regulamento particular da prova foi previamente enviado e aprovado pela FPAK.

O dirigente sublinhou ainda que o regulamento aplicado durante toda a competição previa claramente o somatório das duas subidas oficiais para definir a classificação final, algo que, segundo explicou, influenciou diretamente a estratégia adotada pelos pilotos ao longo da prova.


Do lado de José Rodrigues, a reação foi mais contida. O piloto mostrou-se tranquilo e reforçou que venceu em pista de acordo com o regulamento particular divulgado antes do evento, sustentando que foi o mais rápido no conjunto das duas subidas oficiais.

No centro da controvérsia está precisamente a interpretação dos regulamentos. Enquanto o regulamento desportivo da Taça de Portugal refere que vence o piloto com o melhor tempo numa das subidas oficiais, o regulamento particular da Falperra indicava que a classificação seria obtida através da soma das duas melhores subidas.


José Rodrigues realizou as duas ascensões oficiais, registando um tempo total de 4m21.014s. Já Afonso Santos fez apenas uma subida oficial, onde marcou 2m08.084s, o melhor tempo absoluto individual da competição portuguesa.

Entretanto, a FPAK confirmou que já deram entrada dois apelos relacionados com o caso, um relativo à nova decisão do Colégio de Comissários Desportivos e outro à classificação final publicada posteriormente. O organismo federativo esclareceu ainda que caberá agora ao Tribunal de Apelação Nacional analisar o processo e decidir o desfecho definitivo desta polémica.


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